Dentro da rotina do Hospital Cardiológico Costantini, pelo menos 80% dos pacientes chegam com dores no peito
No dia-a-dia de uma emergência cardiológica 24 horas, pelo menos 80% das pessoas atendidas todos os dias chegam reclamando de dores no peito. Destas, até 40% acabam confirmando o quadro de algum problema no coração. São números como esses, divulgados pelo Hospital Cardiológico Costantini que levam as equipes médicas a alertar cada vez mais a população sobre a necessidade de prestar muita atenção em qualquer sintoma que possa revelar um problema cardiovascular e a importância do socorro imediato. Quando se trata de coração, muitas vezes o tempo é o fator determinante entre a vida e a morte.
O cardiologista José Rocha Faria Neto, chefe da Emergência do Hospital Cardiológico Costantini, explica que quando um paciente chega a uma emergência cardiológica com dor no peito, passa por uma rotina que vai determinar se tem realmente algum problema cardiovascular. Primeiramente, o cardiologista faz uma análise clínica do paciente, verificando seus sintomas, histórico familiar e presença de fatores de risco. Em seguida, é encaminhado para o exame de eletrocardiograma, que vai mostrar se a pessoa está sendo acometida por um infarto. Então, uma amostra de sangue é colhida para o teste popularmente conhecido como de enzimas. “Por meio deste exame, conseguimos observar a alteração do comportamento de substâncias produzidas pelas células do coração. Quando uma artéria que leva sangue ao órgão é obstruída, uma parte do músculo morre e as células passam a liberar essa enzima, caracterizando um infarto”, afirma Faria Neto. Porém, é importante lembrar que o exame de enzimas pode levar até seis horas após os primeiros sintomas para demonstrar alterações. “Desta forma, o ideal é que o teste após esse período”, ensina o médico.
Após esses procedimentos, o paciente vai para a esteira ergométrica, na qual o coração é colocado à prova perante um incentivo de esforço físico. Se todos esses exames demonstrarem normalidade, é pouco provável que o paciente tenha alguma disfunção cardiovascular. “Mesmo assim, ele é alertado para prestar atenção em outros sintomas e a voltar ao hospital para exames mais detalhados”, acrescenta o cardiologista chefe da Emergência.
Outros sintomas
Muitas vezes, as pessoas que procuram emergências cardiovasculares estão com problemas de palpitação – ou coração disparado –, além de tonturas e alguns casos de desmaio. Nesses casos, pode ser caracterizada uma arritmia – um descontrole nos estímulos elétricos que fazem funcionar o coração. Em situações como essa, muitas vezes é possível usar a chamada cardioversão, que consiste na transmissão de choque elétrico para que o músculo volte ao funcionamento normal.
Em outros casos, os médicos da emergência cardiovascular atendem a pacientes que se queixam de falta de ar. O risco do problema ter alguma relação com o coração é maior no caso de diabéticos – 50% dos portadores desta doença não sentem dor no peito quando infartam, mas geralmente notam a falta de ar.
Os casos mais graves observados em uma emergência cardiovascular são aqueles em que a aorta sofre uma dissecção – ou seja, uma das várias camadas que formam a artéria acaba se rompendo pela pressão sangüínea. Nesses casos, de acordo com o cardiologista José Rocha Faria Neto, a mortalidade chega a 1% por hora nas primeiras 48 horas, o que mostra a urgência do diagnóstico e do tratamento cirúrgico imediato. Afinal, após esse período, se o paciente não for socorrido, as chances de morte aumentam para 50%. Quem sofre esse tipo de lesão sente muita dor no peito e nas costas. São mais comuns em casos de hipertensos graves.
Em todos os casos, vale sempre o mesmo alerta – em qualquer suspeita de problema relacionado ao coração, deve-se procurar pronto atendimento médico especializado. Somente assim ainda será possível reverter os índices que ainda apontam os problemas cardiovasculares como a principal causa de morte no mundo.