Combinação eleva a formação de coágulos nas artérias, ampliando as chances de infarto e acidente vascular cerebral
Que o cigarro faz mal à saúde todos já sabem. Mas mulheres fumantes devem ter um cuidado redobrado, principalmente as que fazem uso de anticoncepcional. Aliado ao hábito de fumar, o método contraceptivo causa risco iminente de doenças cardiovasculares.
A cardiologista Maria do Rocio Peixoto de Oliveira, do Hospital Cardiológico Costantini, explica as conseqüências dessa combinação. “A nicotina, encontrada no cigarro favorece a agregação das plaquetas e, aliada ao anticoncepcional, facilita formação de coágulos nas artérias, podendo obstruir o fluxo sangüíneo”, revela. Se essa oclusão for numa artéria no coração, a mulher pode ter um infarto. No cérebro, pode causar um acidente vascular cerebral, o popular derrame
O indicado é que as mulheres parem mesmo de fumar. O tabagismo é responsável não apenas por doenças no sistema respiratório e circulatório, mas também no reprodutor. “O cigarro aumenta a taxa da infertilidade feminina e, nas mulheres grávidas, facilita o trabalho de parto prematuro e pode causar o câncer de colo cervical. Portanto, o ideal é parar de fumar. Se a mulher não conseguir, ela deverá iniciar um tratamento com outro método contraceptivo para evitar as complicações”, pondera.
Perdas e ganhos
Tradicionalmente, as doenças cardiovasculares eram preocupações predominantes no sexo masculino, pois o risco das mulheres era menor. Mas, infelizmente para elas, essa diferença está diminuindo com o passar dos anos. O número de casos de mulheres sofrendo infarto está aumentando e tornando-se cada vez mais precoce. “Está comprovado cientificamente que a probabilidade dessas doenças ocorrerem nas mulheres só se iguala à dos homens após a menopausa, devido aos distúrbios hormonais desencadeados nessa época”, afirma a cardiologista.
Para Maria do Rocio, a maior parte das mulheres se preocupa mais com o câncer de mama e de útero, depositando assim no ginecologista a maior responsabilidade pelo cuidado de sua saúde e correndo o risco de esquecer o coração. A falta de cuidados se agrava quando somada ao fato das mulheres terem ganhado algumas responsabilidades que até pouco tempo eram exclusivamente masculinas. Fatores como a competição no mercado de trabalho, estresse, consumo de alimentação inadequada, falta de tempo para atividades físicas, tabagismo e consumo de bebidas alcoólicas, completam a fórmula para uma precoce complicação cardíaca.
Depressão
De acordo com a cardiologista, distúrbios de humor são um dos principais responsáveis pelo aumento do número de mulheres fumantes, pois facilitam a dependência da mulher. “Mulheres com depressão, ansiedade e/ou estresse buscam no cigarro uma válvula de escape para seus problemas psicológicos, facilitando assim a dependência do tabaco”, revela Maria do Rocio.