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Tecnologia de ponta já beneficia pacientes cardíacos em Curitiba

Imagens de procedimentos não invasivos mostram detalhes do coração que podem antecipar ou evitar um cateterismo

O Hospital Cardiológico Costantini, especializado em diagnóstico, tratamento e prevenção de problemas cardiovasculares, utiliza o que há de mais avançado em tecnologia de imagem para exames não invasivos em pacientes com risco de doença obstrutiva coronária. O tomógrafo multislice, que fornece imagens detalhadas do coração, por meio de múltiplos detectores, pode evitar que os pacientes precisem passar pela bateria de exames a que hoje são submetidos para detectar riscos de infarto.

O cardiologista Costantino Roberto Costantini, diretor do hospital, explica que a angiotomografia coronária é uma etapa anterior ao cateterismo. “A informação preliminar sobre as coronárias dada pelo exame com o tomógrafo serve para endossar a necessidade de um cateterismo. Ou seja, é como um filtro”, afirma. Dependendo do quadro clínico do paciente, a tomografia pode livrá-lo do cateterismo. “Se ele apresenta dor e alterações detectadas nos exames eletrocardiográficos, ele precisa do cateterismo. Porém, não havendo essas alterações, apenas a tomografia já ajuda”, avalia Costantini.

A imagem detalhada e tridimensional, vista na tela do computador, mostra se as coronárias do paciente estão ou não com alguma lesão, se há obstrução ou qual o seu grau. Ela dá ao médico, ainda, as informações sobre calcificação, deformidades e anomalias nas coronárias. “Por isso, o mais importante é que a angiotomografia seja realizada por profissionais capacitados em artéria coronária, e não apenas em diagnóstico por imagem. São eles que saberão interpretar, de maneira precisa, o grau de entupimento que a imagem vai mostrar”, acrescenta o médico. No Hospital Cardiológico Costantini, a equipe da hemodinâmica do hospital, que fica disponível 24 horas por dia, é a responsável pelos exames coronários com o tomógrafo. Trata-se dos mesmos médicos que realizam cateterismos, ultra-som intracoronário e angioplastias.

Procedimento

Ao chegar à emergência do hospital cardiológico com dores no peito, o paciente começa a ser submetido a vários exames para detectar a causa. O primeiro deles é o eletrocardiograma, que mostra se existem alterações estruturais. Mesmo que o resultado seja normal, é necessário ainda fazer o exame de enzimas cardíacas – proteínas presentes nas paredes das células do coração. Quando ocorre uma agressão, essas células são rompidas, liberando essas enzimas e caracterizando o infarto.

“É importante lembrar que o fato dos exames não detectarem o infarto naquele momento não afasta a possibilidade do paciente sofrer um a qualquer momento”, explica o cardiologista Everton Dombeck, também do Hospital Cardiológico Costantini. “Por isso, são tão importantes o acompanhamento, a análise dos fatores de risco e a prevenção constante”, ensina.

Um teste de esforço, por exemplo, pode acusar uma alteração que indique uma isquemia – ou falha na irrigação de sangue no coração. Nesse caso, dependendo dos fatores de risco que o paciente apresentar, ele pode ser encaminhado à angiotomografia.

A chance de que uma obstrução coronária significativa não seja detectada pela angiotomografia é tão pequena que, se o resultado for normal, não há necessidade de encaminhar o paciente para os demais procedimentos de alto custo – como cintilografia, cateterismo e ultra-som. “Desta forma, concluímos que, mesmo sendo um exame de alto custo, a angiotomografia compensa o valor dos demais exames que podem ser dispensados a partir da imagem mostrada pelo tomógrafo”, completa Dombeck.

Outras vantagens

O tomógrafo do Hospital Cardiológico Costantini ainda auxilia no acompanhamento da chamada árvore coronariana (formadas pelas coronárias e suas ramificações) de pacientes que apresentam alterações consideradas leves ou médias, por meio de um check up evolutivo. “Em pacientes que apresentam entupimento de 30% nas artérias, por exemplo, é possível acompanhar a evolução por meio da angiotomografia, sem necessidade do cateterismo”, diz Costantini.

Apesar de não existir tecnologia mais avançada para visualização não invasiva das artérias coronárias do que este tomógrafo, ele ainda não substitui o cateterismo. “O tomógrafo representa uma quebra de paradigma porque traz um método eficiente de diagnóstico das coronárias por meio de um procedimento não invasivo. Porém, ele não substitui o cateterismo, mas serve para endossá-lo ou, em alguns casos, evitá-lo”, explica Costantini.