Cerca de 90% das vítimas de morte súbita possuem alguma cardiopatia e boa parte delas não sabem que têm o problema
Em uma iniciativa que visa a proteção e segurança de seus alunos, pais e colaboradores, o Colégio Bom Jesus firmou parceria com o Hospital Cardiológico Costantini e a Fundação Francisco Costantini para que seus profissionais da área de saúde escolar de 15 unidades no Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo façam curso de reciclagem no atendimento a vítimas de mal súbito – entre eles, o infarto agudo, o derrame cerebral, a obstrução da respiração e o ataque do coração – seguindo as orientações da American Heart Association, uma das principais instituições mundiais no treinamento e estudo das doenças cardíacas.
No Brasil, cerca de 273 mil pessoas por ano são vítimas de morte súbita – aquelas que acontecem de modo totalmente inesperado e que não conseguem chegar ao hospital a tempo. Isso representa uma morte a cada dois minutos. A causa mais comum entre as crianças é a asfixia – ocasionada, geralmente, quando elas levam algo à boca ou ao nariz, que acaba obstruindo as vias aéreas. No entanto, elas não estão livres de serem incluídas também no universo de pessoas até 35 anos vítimas de cardiopatias congênitas – ou problemas cardíacos presentes desde o nascimento. Acima desta faixa etária, a doença arterial coronariana é a causa mais comum. Os dados foram publicados pelo Resuscitation, publicação científica internacional da área de ressuscitação cardiopulmonar, e pela European Society of Anestesiologist.
A grande maioria desses casos poderia ser evitada com medidas simples de prevenção, exames e tratamento. Os estudos mostram que 90% das vítimas de morte súbita possuem algum problema cardíaco e boa parte delas não é diagnosticada – ou seja, não sabe que tem a doença. Então, poderiam ser socorridas por quem está ao seu lado no momento do ataque. "Como a maioria das mortes ocorre fora do hospital, a comunidade acaba fazendo o papel de unidade coronária básica, desde que as pessoas estejam habilitadas para socorrer alguém”, afirma Rafael Michel e Macedo, diretor científico dos cursos de Suporte Básico de Vida pela American Heart Association da Fundação Francisco Costantini – entidade sem fins lucrativos que, entre outras ações, está credenciada pela American Heart Association para ensinar pessoas leigas a reconhecer um ataque cardíaco e socorrer a vítima de parada cardiorrespiratória.
Curso
O Suporte Básico de Vida ensina, em apenas quatro horas, qualquer pessoa a reconhecer e auxiliar uma vítima de mal súbito. "A atuação da pessoa mais próxima a uma vítima de parada cardíaca nos primeiros cinco minutos é decisiva para a sobrevivência”, explica Macedo.
O curso é totalmente prático e demonstra o procedimento correto da massagem cardíaca e da respiração boca-a-boca, além da utilização adequada do desfibrilador externo automático - equipamento portátil que, por meio de descargas elétricas, auxilia a reanimar o coração. A Fundação Francisco Costantini oferece cursos direcionados para leigos em geral, profissionais da área de saúde, específicos para trabalhadores em escolas, além de um módulo especialmente criado para educar as crianças ainda nos bancos escolares – que inclui reconhecimento dos fatores de risco que levam às doenças cardiovasculares e medidas de prevenção.
"Pesquisas realizadas pela American Heart Association em países escandinavos onde foram treinadas 35 mil crianças em idade escolar, a partir dos 12 anos, demonstraram que elas tornaram-se multiplicadoras dentro de suas casas, atingindo cerca de 85 mil pessoas”, conta Macedo.
No Grupo Bom Jesus, o treinamento envolve os profissionais do Departamento de Saúde Escolar de 15 unidades em todo o Brasil. Inicialmente, são 40 profissionais treinados pela Fundação. Porém, a idéia é estender, no futuro, o aprendizado para demais funcionários do grupo e também para os alunos. "O Grupo Bom Jesus é um dos pioneiros nacionais na área de Educação a se preocupar com a saúde de alunos e funcionários e criar um departamento específico para cuidar desse setor. Esperamos que nosso grupo se torne multiplicador desse conhecimento que pode salvar vidas”, afirma o coordenador do Departamento de Saúde Escolar do Grupo Bom Jesus, José Francisco Malucelli Klas. Atualmente, o grupo tem mais de 16 mil alunos de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio em todo o País.